Arquivo mensal: março 2014

Hokkaido Café: bolos com sabor – e clima – de vó

À primeira vista, não se dá nada para o Hokkaido Café. Olhando de fora, o lugar parece escuro e, com suas mesas e cadeiras de metal gasto, tem cara de um cafezinho antigo esquecido pelo tempo. Não fosse a indicação entusiasmada do amigo Guss de Lucca, eu nunca teria entrado. Mas entrei e encontrei bolos caseiros fresquinhos e saborosos, um atendimento simpaticíssimo e uma clientela feliz, que conversava animadamente com jeitão de quem está recebendo a família em casa para o bolo da tarde.

Bolo de cenoura do Hokkaido Café

Bolo de cenoura do Hokkaido Café

Os bolos, em sabores que variam conforme o dia, são expostos em uma vitrine e servidos em pedaços de tamanho médio. Para minha decepção, não tinha, naquele dia, o de pistache, mas, além dos tradicionais como laranja, limão, cenoura e chocolate, havia sabores como melão, laranja com gengibre e quatro opções sem açúcar, como iogurte e banana. Comi dois pedaços na hora e levei mais dois para casa.

O de laranja com gengibre estava perfeito, super fofo e com sabores suaves sem ser muito doce. Já o de coco estava bem molhadinho e tinha ainda com uma cobertura cremosa da fruta, bem diferente das coberturas de coco ralado e daquele exagero de açúcar dos bolos gelados.

O clássico de cenoura com chocolate tinha uma quantidade comedida de cobertura, só o suficiente para dar uma graça, e a massa com bastante cenoura também estava bastante fofa.

Bolo de laranja com gengibre do Hokkaido Café

Bolo de laranja com gengibre do Hokkaido Café

Totalmente cremoso estava o de milho, com textura mais parecida com a de pudim do que de bolo, com sabor forte e um pequeno polvilhado de canela no topo. Não me agradou, mas tem seus fãs.

Cada pedaço custa, em média, R$ 4. Ao todo, com um café (R$ 3,80) e um copo de água (R$ 1,50), gastei R$ 21. Alegria até na hora da conta.

O Hokkaido Café fica perto do metrô Praça da Árvore e abre de segunda a sexta das 7h15 às 18h e aos sábados das 7h30 às 17h.

Hokkaido Café
Rua Pitangueiras, 66, Praça da Árvore. Tel.: 5589-2411
Anúncios

Padaria Brasileira: bons clássicos no lugar certo

A Padaria Brasileira, que existe há mais de 60 anos no ABC Paulista, é uma novidade para os paulistanos. Naquele pedaço da Grande São Paulo, ela tem uma sólida tradição em bons doces e salgados, mas permanecia, até agora, fora do radar da capital.

Bomba de gianduia da Padaria Brasileira, na rua Augusta

Bomba de gianduia da Padaria Brasileira, na rua Augusta

Quem resolveu mudar essa história foi – quem diria? – o apresentador Gugu Liberato. Em um movimento muito esperto, Gugu abraçou um ponto na rua Augusta, quase na esquina com a av. Paulista, e levou para lá uma filial da Brasileira em um espaço bonito e aconchegante, com dois andares, e colocou quase de cara para a rua o seu balcão de quitutes.

A casa é mais famosa pelos salgados, em especial pela coxinha (R$ 4,90). Sim, ela é incrível e com certeza vai brigar por uma posição entre as melhores da cidade, mas não é disso que falamos aqui. Então sigamos adiante.

No quesito doces, a Brasileira é uma boa padaria, com clássicos das casas do gênero, como sonhos, rosquinhas de leite, tiras de bolo e pavês no potinho. Nisso tudo ela agrada, sem ser sensacional.

Brigadeiro de Ovomaltine da Padaria Brasileira

Brigadeiro de Ovomaltine da Padaria Brasileira

Nessa nova unidade paulistana, provei uma tira de bolo de nozes (R$ 9,20) que estava bem molhadinha e com sabor destacado. O brigadeiro de Ovomaltine (R$ 4,50) – que não chega a ser gourmet – estava um pouco mais duro do que eu esperava, mas tinha o gosto bom do achocolatado. Além dele, havia o brigadeiro tradicional, de gianduia e de pistache, além do beijinho (também R$ 4,50 cada).

O melhor doce que provei lá foi a bomba de gianduia (R$ 6,80). Com massa fininha simples, tem uma cobertura densa bem, bem doce e um recheio mais controlado no açúcar e mais cremoso, mas também bastante saboroso. Grande demais para ser devorada sozinha, vale dividir.

O que não me convenceu foi o sonho, que é um dos ícones das casas no ABC. Pequeno, ele tem massa sequinha e é polvilhado com canela além do açúcar tradicional, mas quase não tem recheio. E, para mim, sonho sem fartura de recheio não é sonho. Sai por R$ 0,95 cada.

Tira de nozes da Padaria Brasileira

Tira de nozes da Padaria Brasileira

Levei para casa mais dois clássicos: rosquinhas de leite (R$ 31 o quilo) e croissants de chocolate (R$ 49 o quilo, R$ 2,55 duas unidades), tudo bem honesto. Não vão ficar – ao contrário das coxinhas – entre os melhores que você já provou, mas para uma boquinha antes do cinema ou a caminho de casa depois do trabalho é uma boa pedida.

Por enquanto, a padaria fecha às 22h20, mas um funcionário informou que eles devem passar a funcionar por 24h em breve. A conferir.

ATUALIZAÇÃO – Julho/2014: Voltei algumas vezes na padaria desde a publicação desse post e o que parecia um começo promissor se tornou uma decepção. O serviço foi piorando a cada visita, tornando-se extremamente lento e com funcionários cada vez mais desinteressados e mal humorados. Além disso, a qualidade dos produtos também foi decaindo. Na última visita, pedi dois bolos e ambos estavam velhos e ressecados, com etiqueta do dia anterior.

Padaria Brasileira Augusta
Rua Augusta, 1592. Tel.: 3262-2207
http://www.padariabrasileira.com.br