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Três croissants de São Paulo para se sentir em Paris

Não é fácil – nem barato – encontrar bons croissants em São Paulo. É como se, acanhada diante da dificuldade de fazer um folhado correto, a cidade tivesse, com o tempo, se conformado com as aberrações massudas de padaria que alguém um dia ousou chamar de croissant. Mas com determinação (e uns trocados a mais) é possível achar bons exemplos dessa grande instituição francesa. Três deles podem ser provados na região dos Jardins.

Pain au chocolat da padaria Santo Pão

Pain au chocolat da padaria Santo Pão

Um bom pain au chocolat (massa de croissant dobrada em formato retangular com um filete de chocolate no meio) pode ser provado na Santo Pão. Na charmosa padaria chique, localizada na esquina da Padre João Manuel com a Oscar Freire, há pães variados, doces, salgados e até pratos completos. Fui até lá em uma tarde bonita de domingo e pedi, entre outras coisas, o pain au chocolat (R$ 7) com um bom suco detox (irônico, eu sei). A massa folhada é bastante amanteigada porém leve, a casquinha dourada estala ao ser cortada e faz uma sujeira danada na mesa, o que acrescenta à experiência uma diversão a mais. O recheio é comedido, mas de bom chocolate amargo.

Croissant de amêndoas da padaria 7 Molinos

Croissant de amêndoas da padaria 7 Molinos

Em outro canto do bairro, na alameda Lorena próximo à rua da Consolação, está a 7 Molinos com a mesma proposta de fazer bons pães e servir um cardápio de sanduíches e pratos para todas as horas. Na vitrine tentadora, entre outras delícias, o croissant de amêndoas brilha (R$ 8,20). Com um creme de amêndoas rico e açucarado, amêndoas torradas por cima e uma massa um pouco mais pesada, acompanha bem um café.

Já para quem prefere o croissant simples, sem recheio, o destino certo é o tradicional Le Vin. A boulangerie fica na alameda Tietê próximo à rua Augusta, em frente ao restaurante do grupo. Da cozinha aparente saem pães e doces franceses que encantam os olhos. Na parede, cestos abrigam croissants daqueles que produzem a sensação de que Paris está logo ali, dobrando a esquina. Eles são vendidos em dois tamanhos (R$ 4,80 o grande), peça obedecendo ao tamanho da sua vontade no dia e leve para casa. Mas leve um a mais para o dia seguinte, com certeza vai dar vontade de repetir.

Santo Pão
Rua Padre João Manuel, 968.Tel.: 2309 5594
www.santopao.com.br
 
7 Molinos
Alameda Lorena, 1914. Tel.: 3063 4433
www.7molinos.com.br
 
Le Vin Boulangerie
Alameda Tietê, 179. Tel.: 3063-1094
www.levin.com.br
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Waffle com chocolate no Le Pain Quotidien

Tenho muito carinho pelo Le Pain Quotidien, a rede belga de padarias que chegou ao Brasil em 2012. E carinho é a palavra certa porque eu sei que é um lugar com defeitos (os altos preços, o ar de falso despojado, as mesas comunitárias sem privacidade, as bebidas quentes servidas em bowls sem alça que queimam as pontas dos dedos), mas continuo gostando de lá mesmo assim, principalmente por causa dos doces que me arrancam suspiros.

Waffle com frutas vermelhas e calda de chocolate do Le Pain Quotidien

Waffle com frutas vermelhas e calda de chocolate do Le Pain Quotidien


Esse sentimento começou pelos spreads de fabricação própria, em especial o Blondie, de chocolate branco. Cremoso e de sabor único, vai bem com qualquer pão doce ou na colher mesmo, puro, e é um item que eu escolheria para levar para a ilha deserta sem pestanejar. Infelizmente os spreads (que também podem ser de chocolate amargo e avelã) chegam ao Brasil caríssimos, na faixa dos R$ 40 o pote de 400g, e vivem em falta, barrados na alfândega. Também são notáveis na rede os croissants, as tortas e os pães feitos com ingredientes orgânicos.

Nas unidades que eu conheci em São Paulo, no Itaim e na Vila Madalena, as tortas, muffins, bolos e outros quitutes disponíveis no dia ficam no balcão logo na entrada, protegidos por um vidro, e escolher é um sacrifício. Na dúvida, há versões mini de alguns doces para provar vários sabores sem explodir. Mas da última vez que estive em uma das casas, eu queria bastante açúcar e optei por um peso pesado: o waffle.

De massa firme por fora mas fofa por dentro, o waffle de formato oval chega à mesa polvilhado com açúcar e coberto de morangos picados e mirtilos, ambas as frutas bastante saborosas. À parte, vem uma jarra pequena cheia de chocolate belga derretido e ainda quente. A doçura e o calor da massa e do chocolate contrastam com a acidez das frutas frias e cada garfada é um deleite.

Cookies com gotas de chocolate do Le Pain Quotidien

Cookies com gotas de chocolate do Le Pain Quotidien

Como tudo na rede, no entanto, o waffle não é barato: ele custa R$ 18. Mas saí de lá tão feliz que considerei um investimento bastante válido.

Acabei também levando para casa um pacotinho com dois cookies com chocolate. Casquinha crocante e interior macio, muitas gotas cremosas de bom chocolate (às vezes gotas demais), muito perfume. Gostoso porém pesado, um é suficiente para satisfazer. Ainda bem, porque o pacote com dois sai por R$ 5,90.

Le Pain Quotidien
Vila Madalena: Rua Wisard, 138. Tel.: 3031-6977
Itaim: Rua Pais de Araujo, 178. Tel.: 3078 0383
Mais endereços no site oficial: http://www.lepainquotidien.com.br

Padaria Brasileira: bons clássicos no lugar certo

A Padaria Brasileira, que existe há mais de 60 anos no ABC Paulista, é uma novidade para os paulistanos. Naquele pedaço da Grande São Paulo, ela tem uma sólida tradição em bons doces e salgados, mas permanecia, até agora, fora do radar da capital.

Bomba de gianduia da Padaria Brasileira, na rua Augusta

Bomba de gianduia da Padaria Brasileira, na rua Augusta

Quem resolveu mudar essa história foi – quem diria? – o apresentador Gugu Liberato. Em um movimento muito esperto, Gugu abraçou um ponto na rua Augusta, quase na esquina com a av. Paulista, e levou para lá uma filial da Brasileira em um espaço bonito e aconchegante, com dois andares, e colocou quase de cara para a rua o seu balcão de quitutes.

A casa é mais famosa pelos salgados, em especial pela coxinha (R$ 4,90). Sim, ela é incrível e com certeza vai brigar por uma posição entre as melhores da cidade, mas não é disso que falamos aqui. Então sigamos adiante.

No quesito doces, a Brasileira é uma boa padaria, com clássicos das casas do gênero, como sonhos, rosquinhas de leite, tiras de bolo e pavês no potinho. Nisso tudo ela agrada, sem ser sensacional.

Brigadeiro de Ovomaltine da Padaria Brasileira

Brigadeiro de Ovomaltine da Padaria Brasileira

Nessa nova unidade paulistana, provei uma tira de bolo de nozes (R$ 9,20) que estava bem molhadinha e com sabor destacado. O brigadeiro de Ovomaltine (R$ 4,50) – que não chega a ser gourmet – estava um pouco mais duro do que eu esperava, mas tinha o gosto bom do achocolatado. Além dele, havia o brigadeiro tradicional, de gianduia e de pistache, além do beijinho (também R$ 4,50 cada).

O melhor doce que provei lá foi a bomba de gianduia (R$ 6,80). Com massa fininha simples, tem uma cobertura densa bem, bem doce e um recheio mais controlado no açúcar e mais cremoso, mas também bastante saboroso. Grande demais para ser devorada sozinha, vale dividir.

O que não me convenceu foi o sonho, que é um dos ícones das casas no ABC. Pequeno, ele tem massa sequinha e é polvilhado com canela além do açúcar tradicional, mas quase não tem recheio. E, para mim, sonho sem fartura de recheio não é sonho. Sai por R$ 0,95 cada.

Tira de nozes da Padaria Brasileira

Tira de nozes da Padaria Brasileira

Levei para casa mais dois clássicos: rosquinhas de leite (R$ 31 o quilo) e croissants de chocolate (R$ 49 o quilo, R$ 2,55 duas unidades), tudo bem honesto. Não vão ficar – ao contrário das coxinhas – entre os melhores que você já provou, mas para uma boquinha antes do cinema ou a caminho de casa depois do trabalho é uma boa pedida.

Por enquanto, a padaria fecha às 22h20, mas um funcionário informou que eles devem passar a funcionar por 24h em breve. A conferir.

ATUALIZAÇÃO – Julho/2014: Voltei algumas vezes na padaria desde a publicação desse post e o que parecia um começo promissor se tornou uma decepção. O serviço foi piorando a cada visita, tornando-se extremamente lento e com funcionários cada vez mais desinteressados e mal humorados. Além disso, a qualidade dos produtos também foi decaindo. Na última visita, pedi dois bolos e ambos estavam velhos e ressecados, com etiqueta do dia anterior.

Padaria Brasileira Augusta
Rua Augusta, 1592. Tel.: 3262-2207
http://www.padariabrasileira.com.br